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FESTA DE GALA

Ontem o Maracanã foi palco de um verdadeiro espetáculo, o Jogo das Estrelas, e Kadu Braga, parceiro de inovação e negócios do Museu da Pelada, esteve presente e registrou tudo! Em uma linda festa, que homenageou as vítimas do acidente aéreo da Chapecoense, Carlos Alberto Torres e o jornalista Raul Quadros, mais de 58 mil torcedores deliraram com as jogadas dos craques e puderam matar a saudade dos ídolos!


Kadu Braga posa com a camisa do Museu

– Zico traz na sua festa a essência da verdadeira pelada. A ginga, a arte e alegria. É a alma viva do futebol brasileiro e é esse o nosso mesmo propósito! – disse Kadu.

E foi exatamente isso que os donos da festa proporcionaram. Com um poderoso ataque entrosado, formado por Zico, Renato Gaúcho, Neymar e Marinho, atacante do Vitória, o time do dono da festa deu um verdadeiro show e venceu com facilidade por 8 a 4. Mesmo jogando em um dos maiores times do mundo, ao lado de Messi, Neymar não escondia a felicidade:

– Quem dera ter um craque como o Zico ao meu lado. Estaria muito feliz!

Além de ter marcado um gol de cabeça, aproveitando o rebote, o Galinho ainda deu uma assistência para o craque do Barcelona e acertou o travessão em um belo chute de fora da área.


Zico e Neymar fizeram boas tabelas (Foto: Alexandre Brum/Estadão Conteúdo)

Antes da partida dos jogadores, no entanto, os torcedores assistiram ao duelo entre os artistas e o cantor Wesley Safadão saiu ovacionado de campo mesmo após ter desperdiçado duas cobranças de pênalti.

Embora os craques tenham deitado e rolado  em campo, o ponto mais alto da festa, sem dúvida, foram os tributos aos que já não estão mais entre a gente.

– As homenagens para o Capitão do Tri, Raul Quadros e a Chape, agora um time imortal, deixaram o evento ainda mais emocionante. Foi inesquecível! – finalizou Kadu.

Para nós, amantes do bom futebol, só nos resta esperar mais 365 dias para presenciar esse espetáculo novamente!

O MARACA É DO POVO

:::: por Paulo Cezar Caju ::::


Brasil x Paraguai em 1985, com mais de 140 mil torcedores – Arquivo O Globo / Anibal Philot/ 

Na minha estreia no Maracanã fiz três gols no América. No Maracanã, joguei por Vasco, Flamengo, Fluminense e Botafogo. No Maracanã já fui idolatrado e vaiado pela galera da Geral. No Maracanã, já dei balãozinho e acenei para a namorada da vez, na Tribuna. No Maracanã, assisti uma exibição do time de vôlei, de Bernard & Cia. No Maracanã, delirei com Frank Sinatra e Paul Mc Cartney. No Maracanã, chorei e sorri. No Maracanã, pela Máquina Tricolor, venci o poderoso Bayern de Munique. No Maracanã, Neymar comandou nosso primeiro título olímpico.


Todos craques sonham em pisar no Maracanã, sejam jogadores ou cantores. O Maracanã não é de Flamengo, Fluminense, Vasco ou Botafogo. O Maracanã é do povo! E o povo quer diversão e arte, futebol, música e o que mais vier. O Maracanã está em bocas de Matilde, empresas e clubes brigando por sua administração.

A Odebrecht mexe seus pauzinhos e faz suas indicações. A Odebrecht ainda tem moral para alguma coisa? A francesa Lagardere conheço dos tempos em que joguei no Olympique. O dono, falecido, era casado com uma brasileira, Beth Lagardere, e chegou a montar um time, o Racing de Paris, para fazer frente ao Paris Saint Germain. Não durou muito. A ideia era ótima, ter uma segunda força. A Lagardere administra estádios no mundo todo. Borússia Dortmund e Olympic Lyonnais são dois bons exemplos. No Brasil, cuida da Arena Castelão. Nem sei quais são seus concorrentes nessa disputa longa, interminável, e nem me interessa, mas duvido que a Lagardere não deixe Flamengo e Fluminense jogarem no Maracanã, pois seria uma grande sandice.

O povão quer um Maracanã que ele possa frequentar, com preços acessíveis, restaurantes, museus, atrações e futebol, muito futebol. Se não dá para melhorar a qualidade do futebol que pelo menos o Maracanã volte a ser um ponto turístico. O Maracanã não é dos clubes, é do povão, é do mundo, é do Rio de Janeiro.


A extinta Geral do velho Maracanã

UM AMOR DE MARACANÃ

por João Carlos Pedroso


Eu tive um Maracanã só meu. Você e a torcida do Flamengo, diria um leitor precoce, doido para abandonar estas linhas antes que termine o primeiro parágrafo. Calma aí, mermão!

Não, eu não estou sendo poético, possessivo ou nostálgico. É só descrição literal. E isso foi quando toda semana tinha quase 200 mil lá dentro para ver um jogo. Mas eu conseguia ficar com aquilo só para mim, em domingo de clássico, acreditem.

Meu pai foi jogador de futebol e depois foi trabalhar no Maraca, na parte elétrica, apesar de quase nada saber do assunto. Era meio uma aposentadoria informal para alguns boleiros cariocas, os mais azarados (pela dureza) e sortudos (por ter uma alternativa) ao mesmo tempo, via Adeg (sim aquela do lendário “Adeg Informa”, das narrações antigas). Saudades da Guanabara…


Mas enfim, meu pai trabalhava no estádio, mas também fazia “frila” nele. Nos jogos dos fins de semana, mexia os pauzinhos para integrar de forma quase permanente um grupo chamado quadro móvel, composto por funcionários que recebiam um extra para atuarem naqueles dias. E me levava na garupa, assim como meu irmão mais novo. Normalmente, ou um ou outro, para facilitar as coisas, mas tinha vezes que íamos os dois.

Chegava cedinho, antes do almoço, e ficava na sala do pessoal da elétrica, embaixo da arquibancada. Eu só quicava lá, nem sentava direito. Tinha que começar uma espécie de ritual: sair da sala, subir a rampa de acesso com o coração quase saindo pela boca. Com os passos de moleque gordinho e que amava tanto, mas tanto o futebol, eu ia subindo a rampa e, quando chegava lá em cima (escute-se um Ooooooooooooooh com coral de anjos) via aquela coisa mais linda. O Sumaré, a grama verdinha, os degraus de cimento… e mais nada. Ninguém. Só eu. Estava deserto e adormecido o gigante do Maracanã…

O bordão é de Waldir Amaral. Futebol era rádio, Campeonato Carioca era muuuuuuito mais legal que Brasileiro (até porque era possível ganhar), era Waldir Amaral e Jorge Cúri, um tempo cada – e Jornal dos Sports, rosa e soltando muita, mas muita tinta. Futebol era aquela arquibancada vazia e só minha.

Nem durava tanto tempo assim, apesar da ilusão de eternidade. No gramado, começavam a aparecer funcionários retocando o cal, aparando e molhando a grama, checando as redes. Na arquibancada, os primeiros vendedores de mate, biscoito de polvilho e Geneal, dividindo as mercadorias, e os chefes das torcidas organizadas (na época, muito mais simpáticas do que assustadoras), preparando a festa, as faixas, as bandeiras. E eu, sempre.

Foi dessa maneira que conheci Zico (e Geraldo, meu maior ídolo nessa época), o fabuloso time do América de 74, Roberto Dinamite, a máquina de Rivelino e um Botafogo que, se não brilhava, tinha em Marinho Chagas uma estrela que se bastava. Foi assim que vi Pelé jogar, uma vez só, mas fazendo gol, contra o Vasco, também em 74.

Via também preliminares com promessas de craques geniais, a maioria não realizada. Estava lá desde cedo, via tudo e tudo era bom. Mas nada era capaz de superar a primeira visão do estádio e aquela sensação de posse, de ser o primeiro de outros 200 mil, uma espécie de semente da paixão. Tem hora que esqueço, mas fui uma criança muito feliz…

UMA PAIXÃO DE 36 ANOS

por Marcos Vinicius Cabral


Acho uma leviandade quando alguém se intitula torcedor de um time desde nascença, querendo justificar sua forte ligação para o clube que torce.

A maioria dos torcedores apaixonados é assim e Maurício Fernandes Vasquez, de 56 anos, morador de Niterói, é um ponto fora da curva, corroborando com o ditado de que ‘toda regra tem sua exceção’.

Não seria difícil imaginar que qualquer clube seria a paixão deste professor universitário de Jornalismo, menos o Flamengo: “Vasquez, em espanhol, quer dizer ‘filho de Vasco’. Sinceramente, acredito que isso vem daquela mania estranha de se trocar o V pelo B e que o correto seria ‘filho de basco’. Mas meu pai foi remador do Vasco da Gama e o capitão da equipe que Lamartine Babo eternizou no hino deles. Ele era capixaba e remava no Saldanha da Gama antes de vir para o Rio de Janeiro”, explica fazendo questão de frisar que não tem qualquer ligação com a equipe cruzmaltina.

Em seguida, o América teria uma interferência na vida daquele garoto que, aos seis anos de idade, ganhara das mãos calejadas do pai o uniforme completo do ‘Diabo Vermelho’, com a flâmula e a bandeira, numa alusão as cores do Saldanha da Gama (clube tradicional, fundado em 1902, em Vitória, no Espírito Santo, nas cores vermelha e branca e que hoje tem futsal e basquete em seus quadros tendo inclusive revelado Anderson Varejão, que brilhou por 12 temporadas entre 2004 a 2016 jogando pelo Cleveland, na NBA).

Sua conversão ao ‘Mais Querido’ deu-se em um Fla-Flu, aos sete anos de idade. Ele e o primo Felisberto foram levados pelo tio Túlio e ficaram nas cadeiras azuis do estádio, exatamente no meio da mulambada, apelido da torcida rubro-negra:

– Lembro que cada vez que tinha um ataque, fosse do Flamengo ou fosse do Fluminense, eu cobria os olhos. Não vi muito do jogo, mas ali virei rubro-negro – diz tentando lembrar-se, em vão, do placar da partida.


Dois anos após essa metamorfose vermelha e preta, com 11 anos, ganhou um uniforme completo: calção preto, camisa rubro-negra, meiões e uma chuteira de travas, embora fosse uma negação com a bola sempre sendo preterido na escolha dos times nas peladas.

Não se embrutecia, apenas aceitava a triste sina de ser ‘perna de pau’ e sempre lhe restava o gol que, modéstia à parte, saía-se razoavelmente bem. Mas sempre que abria uma brecha pedia para jogar um pouquinho na linha.

Morando em Icaraí, bairro classe média de Niterói, o garoto queria ostentar o manto rubro-negro e as chuteiras novas. Em 1971, sem saber a razão, foi passear em São Gonçalo com um amigo. Deslizou nas calçadas úmidas e sujas na cidade temendo um escorregão ou algo pior.

Foi a única vez que usou as chuteiras.

Enfim, o tempo passou e certa noite foi a uma rodada dupla no Maracanã, com um amigo. O primeiro jogo era do Fluminense e o segundo do Flamengo. Na época, 1976 ou 1977, os jogos começavam às sete da noite e tendo rodada dupla terminavam perto da meia-noite.

E pelo Flamengo conseguiu a proeza de na mesma noite, após ter errado o caminho para pegar o ônibus, ser assaltado e ter o dinheiro da passagem devolvido pelo mesmo assaltante:

– Saímos pela entrada do Bellini e, ao invés de virar para a direita, viramos para a esquerda, dando quase que uma volta completa pelo estádio, já vazio àquela hora. Fomos interpelados por cinco pivetes. Entrevi, no bolso de um deles, todos menores que nós, a coronha de um revólver. Não quis nem saber se era de verdade ou não. Calmamente, paramos e nos deixamos ser rapinados. Na verdade, não tinha muita coisa para se levar. Eu tinha um cordão que era brinde da revista Pop, que foi muito popular na época. No meu bolso estava o rádio de meu colega, que levaram, também assim como o dinheiro dele de passagem. Eu estava sem dinheiro, tinha só o das nossas passagens, que segurava na mão, com um saco de churros por cima. Quando pegaram a carteira do meu colega nem nos lembramos de que o da passagem já estava salvo. Ponderamos com eles que não podíamos ficar a pé, já que morávamos em Niterói. Eles perguntaram quanto era a passagem e nos devolveram cinco cruzeiros novos! – conta e emenda: “os assaltantes daquela época eram mais amigos”.

Mas nem isso fez com que seu entusiasmo com o Mengão ou de ir ao ‘Maraca’ arrefecesse.

Assim como o primeiro assalto ninguém esquece, imagina a primeira e única vez na Geral do estádio?

Estádio apinhado de torcedores brasileiros, na sua maioria rubro-negros. Estar lá dentro era uma façanha digna dos verdadeiros torcedores, os que amam o futebol, afinal o jogo foi num domingo de calor insuportável: “Foi num jogo contra o Peru, comemorativo do Dia do Trabalho. Deve ter sido em 1978. Cheguei ao Maracanã e não havia mais ingressos para a arquibancada. Comprei para a Geral. Achei estranhíssimo o ponto de vista. Tudo o que dava para ver bem era um pedaço mínimo do campo. O resto ficava tão longe que não se via nada! E, de repente, uma bola é lançada para o ponta peruano, que corre atrás dela pela lateral esquerda. E lá de longe, surge Toninho, lateral do Flamengo, para disputar a bola. E Toninho vem correndo e quanto mais perto vai chegando da bola, maior vai se tornando para os geraldinos. E quanto mais perto, maior. Até que ele alcança a bola e a isola e nós, geraldinos, procuramos nos proteger daquele tanque humano, que, para nós, parecia que ia nos atropelar, como se estivéssemos num filme 3D”, conta o catedrático, lembrando que sempre foi fã do polivalente lateral da camisa 2 e que naquele escrete canarinho havia também um certo Zico e Nunes, chamado de João Danado (apelido dado pelo radialista Washington Rodrigues, o Apolinho).

Na época que ainda era solteiro passou por algumas ‘saias justas’ e fazia questão de mesmo assim demonstrar todo amor ao ‘Mais Querido’, mesmo nas situações mais inusitadas que viveu no Estádio Mário Filho, vulgo Maracanã. Entre uma aqui e outra acolá, prefere lembrar de uma em especial: “Eu e meu querido primo Felisberto assistimos a um Flamengo X Vasco na torcida cruzmaltina! Quando chegamos não encontramos lugar na do Flamengo e resolvemos ir para a torcida adversária. Ficamos quietos e combinamos que, se interpelados, diríamos que éramos mineiros visitando o Rio pela primeira vez. E não é que um vascaíno chega perto e comenta:

– Esse jogo está emocionante, né?

Na maior cara de pau, respondo: – É! Lá em Minas não é assim!”.

Como ele permanecia junto de nós, resolvi me mostrar ainda mais sonso e perguntei:

– O que são essas estrelas todas na bandeira?

Ele me disse que eram títulos invictos do Vasco, ou coisa que o valha. No que eu emendei:

– Puxa, então o Botafogo só tem um título?

Aí, ele desistiu de nós e pudemos assistir ao resto de jogo mais ou menos sossegados.

Frequentador assíduo das arquibancadas por onde o Flamengo jogasse, começou a guardar por hobby os ingressos sempre que a equipe ganhava ou empatava e os colava na porta interna do armário.

Alguns teriam lugares de destaque nas colagens como no tricampeonato em dois anos (1978/1979/1979) e os da final do Brasileiro de 80 e os da Libertadores de 81, estes dois últimos, que segundo o próprio torcedor, foram especiais.

Mas a vida de Maurício Fernandes Vasquez seguiria seu rumo normal e com o casório à vista, o já degradado armário ficaria no passado do mesmo jeito que o celibato. Até que, sabe se lá porquê, resolveu comprar uma camisa rubro-negra com o número 10 às costas, no mesmo ano da conquista do primeiro título, em 1980.

Havia esperança naquela camisa e quiçá naquele time. Sempre retirada das gavetas com cheirinho de naftalina – com exceção do Brasileiro de 80 o Flamengo só havia ganhado títulos cariocas e inexpressivos – a ansiedade daquele torcedor era do tamanho da nação rubro-negra: gigantesca!


Mas com o título da Libertadores de 1981, que lhe concedeu o direito de jogar o Mundial daquele ano contra os ingleses do Liverpool, a relação mista entre Maurício – que trabalhava no Banco do Estado de Santa Catarina na época – com sua camisa se tornaria mais afetiva a ponto de batizá-la de ‘Invicta’, sendo utilizada em ocasiões especialíssimas.

Enquanto os 40 milhões de flamenguistas espalhados pelo país consideram o Mundial como divisor de águas na história do clube, Maurício faz coro com a massa rubro-negra:”Aliás, o Mundial foi algo surreal! Assisti ao jogo em casa, e quando acabou o jogo fui, com minha namorada, para a Praia de Icaraí. Foi incrível ver a praia cheia, a aglomeração da torcida em frente ao Bier Strand, às duas horas da manhã de uma segunda-feira que ainda iria surgir”, diz salientando que a ‘Invicta’ só sai da gaveta em jogos finais o que comprova sua eficiência tamanha invencibilidade.


Já nos idos de 90, teve a oportunidade de acompanhar seu irmão Pedro Vasquez – repórter e fotógrafo de mão cheia – numa entrevista para a extinta revista Três, no Recreio dos Bandeirantes, na sede do CFZ (Centro de Futebol Zico) com o Galinho.


Na ocasião – a única vez que esteve com o maior ídolo do Flamengo -, teve motivos de sobras para não deixar o momento passar incólume sem pedir autógrafos e um em especial:”Comprei por lá duas camisas do CFZ para ele autografar, uma para minha mulher, outra para meu filho. Levei também a Invicta e ela ostenta hoje, além das marcas do tempo, o autógrafo do Galinho junto ao escudo do Mengão. Aliás, o duplo autógrafo, pois levei uma caneta especial, de tinta permanente ou coisa parecida e, na primeira lavada, o autógrafo passou também para as costas!

– Há anos não caibo mais dentro dela, mas nunca cogitei me separar dela – diz um apaixonado há 36 anos pela camisa.

VOVÔ DO MARACANÃ

No Dia dos Avós, nada mais justo do que uma homenagem para Jankel Schor, o Vovô do Maracanã!