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Esquadrões do Futebol Brasileiro

FLAMENGO 1981

por Marcelo Mendez


Foi uma tarde dos anos 80…

Um presente do Pai daqueles que a gente não esquece; Aos 11 anos de idade, conhecer o Maracanã lotado de 160 mil vozes, apaixonadas, munidas de um sentimento que só o futebol pode propiciar e nem sempre explicar.

Lá dentro do Maraca lotado, ainda com o som do Bob Dylan cantando “Homesick Subterranean Blues”, no carro que nos trouxe pela Dutra afora, até a Cidade mais linda do mundo, tudo era “normal” até a hora do placar eletrônico do Maracanã começar escalar o time do Flamengo, número por número, junto com a torcida rubro-negra; 5 – Júnior (EEEEEE!!! Júnior, Júnior, Júnior…) 8 – Adílio (EEEEEE Adílio, Adílio, Adílio) 9 – Nunes (Nunes, Nunes, Nunes) Aí veio a catarse…

De repente, a massa rubro-negra se levantou do concreto do Gigante. Todo mundo de pé, bandeiras tremulando, fogos espocando e o placar eletrônico parado, não punha mais nenhum nome. Apenas o número 10 apareceu no placar. Aí o 10 piscava e o povão entrava em transe. Então veio, letra por letra; Z-I-C-O.

!!!!!


O Maraca veio abaixo! A massa explodiu num coro lindo… “EI, EI EI O GALINHO É NOSSO REI… ZICOOOOO, ZICOOOOO, ZICOOOOOO”

Naquela tarde eu, um menino Paulista com 11 anos de idade, tive a certeza que não tinha errado no ídolo que escolhi. E agora, em Esquadrões do Futebol Brasileiro, vamos contar a história de um time que marcou a vida deste que vos fala, de tantos outros que assim como eu, escolheram o camisa 10 da Gávea como herói:

É a hora do Flamengo de 1981!

O PACTO DO BARRIL 

Dudu Monsanto é Jornalista, Escritor, bom em tudo que faz. Entre todas as ótimas coisas que fez, Dudu escreveu “1981 – Ano Rubro-Negro”, falei com ele para saber de suas impressões sobre um episódio que ajudaria a formar esse time. Antes, uma apresentação:

Tita era um jovem talentoso vindo da base do Flamengo.

Cheio de personalidade, ótimo jogador, na disputa de pênaltis não se fez de rogado; Foi lá bateu e como conseqüência, o barulho seco da luva de Mazzaropi ecoou por todo Maracanã rubro-negro daquela noite de 1977. O Vasco foi campeão após Dinamite converter a última cobrança. Mas o Flamengo tomou uma atitude totalmente diferente.


– Barril 1800 era um bar/churrascaria na praia de Ipanema. Preocupados em consolar o Tita que havia perdido o pênalti na decisão, a galera foi pra se fechar pra conversar, para lavar a roupa suja, para tentar entender como havia se perdido duas vezes nos pênaltis. Foi algo que mudou todo o rumo do clube!. – Dudu está certo:

Ali se formava um dos maiores times de todos os tempos.

1978, 1980 O BRASIL É RUBRO-NEGRO

A equipe toma corpo.

Com Claudio Coutinho no Banco, Zico, Adílio, Carpegiani, Julio César, Claudio Adão, Rondinelli na zaga, Toninho Baiano e Junior nas laterais, mais a chegada do goleiro Raul, o Flamengo vence o Carioca de 1978 e vai para uma final épica contra o Atlético Mineiro no Maracanã.


No que pese todas as controvérsias daquela decisão, o Flamengo vence por 3×2 com um gol de Nunes na segunda etapa e marca seu nome em nível Nacional pela primeira vez.

Mais do que a Festa, o título inédito credencia o Flamengo para algo grande, algo inédito até então. O Rubro-Negro iria tentar conquistar a América. 

VEM PRO BANCO, PC!

O ano de 1981 não começou fácil para o Flamengo.

Teve eliminação do Campeonato Brasileiro, desconfiança e uma mudança de técnico pouco usual para a época:

Paulo César Carpegiani sai do meio campo para o banco de reservas. Ele foi o escolhido para substituir Dino Sani, que já havia substituído o Capitão Coutinho. Uma nova fase se inicia na Gávea e a Libertadores da América é a meta.

RUBRO-AMÉRICA!

 – O Flamengo passou até que de maneira tranquila na primeira fase. Após a batalha do Serra Dourada, pegou um grupo com Deportivo Cali e Jorge Wilsterman, evitando os confrontos com os Argentinos. Dalí saiu para a final” – relembra Dudu Monsanto

Dudu lembra dos jogos chatos em Cochabamba, em Cali, mas ressalta que os problemas do Flamengo não estavam ali. Viria pela frente em seguida, vestido de laranja e com ares desérticos…

COBRELOA

Aos 11 anos de idade eu não fazia a menor ideia do que se tratava a coisa.

Muito menos havia ouvido falar de Calama, deserto de sei lá o que, minas, todas as essas coisas. Mas o time do Cobreloa vinha de lá e para chegar até a decisão fez grandes estragos pela Copa. Dessa forma, chegava ao Maracanã credenciadíssimos:

– Não chegaram à toa não. Era um time bastante interessante com bons jogadores, como o goleiro  Óscar Wirth, titular do Chile na Copa de 1982, o zagueiro Mario Soto. Fizeram muito boa campanha e daria trabalho ao Flamengo – conta, Dudu Monsanto. De fato era um time interessante. Mas que ficou conhecido por outras características, bem menos nobres.


A BATALHA DE SANTIAGO E A GLÓRIA EM MONTEVIDEO

A segunda partida seria no Estádio Nacional de Santiago e da ditadura de Pinochet que o fez de masmorra oito anos antes. O clima não poderia ser pior.

– Chegamos e vimos um corredor polonês formado por guardas de escudos e cassetetes. Ao entrarmos, eles estreitaram o corredor e ali mesmo já tomamos uns dois ou três pescoções cada um – relataria Adílio, em entrevista para o Globo Esporte, anos depois.

A partida em Santiago foi um inferno de pancadaria, pressão e o escambau. O placar final de 1×0 fez com que a decisão fosse para o terceiro jogo em campo neutro e ali não teve jeito, porrada nenhuma parou o Flamengo.

Em uma das melhores partidas da vida de Zico, o Flamengo mete 2×0 no Cobreloa, volta com o título, mas não tem muito tempo de comemorar. Faz as malas e vai embora atravessar céus e mares.

Faltava o Mundo…

ESSE TAL DE LIVERPOOL

É preciso que se entenda o mundo em 1981.

Para um moleque de 11 anos do ABC Paulista, Palmeirense, sofredor pra danar, ver um time Brasileiro ir até o Japão enfrentar um outro time, mas europeu, era algo pomposo demais.

E que time!


O Liverpool de 1981 era um timaço, que tinha em suas linhas jogadores como Kenny Dauglish, Ian Rush, o goleiro Ray Clemence e toda a pompa de ser o campeão da Europa. Chegou no Japão todo montado em ternos, gravatas, narizes em pé e outras coisas muito comuns para uma época em que o intercâmbio era nenhum.

O Flamengo foi a campo com a sua formação clássica: Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Junior/ Andrade, Adílio e Zico/ Tita, Nunes e Lico.

Foi um baile de bola!

Com dois gols de Nunes e um de Adílio, o Flamengo mete 3×0 no Liverpool em 20 minutos de jogo. O segundo tempo, foi só pra rolar a bola, meter na roda e já pensar na festa. Flamengo, Campeão do Mundo!

Mas ainda num ia dar pra fazer a festa.


O Flamengo precisava resolver um problema em casa.

O RIO TAMBÉM É FLAMENGO

Entretido em meio a tantas decisões, o Flamengo que precisava de um empate em três partidas com o Vasco, perdeu as suas primeiras partidas. Mas na terceira a coisa foi diferente.

Com o 2×1 no placar, um show de Adílio, o Flamengo termina o ano de 1981 com três títulos enormes e uma página maravilhosa em sua história. O time do Flamengo era o maior time do mundo e hoje, fica fácil apontá-lo como o maior time da história do clube, um dos maiores do futebol mundial. Mas tudo isso, se resume em uma frase do amigo Dudu Monsanto, quando ele comenta a motivação de fazer o livro sobre esses anos:

– Sabe aquele seu avô, que todo mundo fala muito bem dele, mas que você não pode conviver? Pois bem, pesquisar, estudar e falar desse Flamengo foi isso. Eu consegui viver uma época que não vivi, que não pude acompanhar. O Flamengo de 1981 foi como resgatar o meu avô!

E sem mais, depois de Dudu, me despeço com todas as odes a esse time.

Flamengo de 1981, um dos maiores Esquadrões do Futebol Brasileiro

ESQUADRÕES DO FUTEBOL BRASILEIRO

VASCO 1977

por Marcelo Mendez


Na nova série para o Museu da Pelada, decidi por algo que sempre me chamou atenção, que sempre me aguçou os sentidos em se tratando de futebol. Decidi por falar dos grandes clubes do futebol do Brasileiro, mas não apenas isso. 

Quero falar de máquinas de sonhos, de artilharias pesadas, de estufamento pleno de todas as redes.

Quero falar dos maiores Esquadrões do Futebol Brasileiro.

Para começar, vou falar de algo afetivo, de um grande time que marcou, mas não apenas por títulos e vitórias. Do ponto de vista lúdico, sob o olhar de um menino de apenas sete anos de idade, que passava a descobrir as ondas do rádio e o futebol, essa equipe foi fundamental para eu entender do ludismo do futebol

A série Esquadrões Do Futebol Brasileiro, pega carona na máquina do tempo e vai para 1977 para falar do Vasco, o Vascão 77.

Vamo lá…

ERA UM MUNDO LEGAL EM 1977

A ligação afetiva de quem vê futebol aos 7 anos de idade é algo que te marca para o resto da vida. Morava em Santo André. O Parque Novo Oratório ainda era algo bucólico, as marcas de asfalto eram poucas, a pressa não havia e a vida era quase que contemplativa.

Nasci num quintal cheio de primos, na casa da Avenida das Nações, até 1975, quando mudamos para nossa casa. Todavia, a ligação com os primos e primas era muita para deixar de haver de um dia para outro. Então, eu, menino de 7 anos vivia no quintal da Tia Leoni, onde uma das casas era nossa.


Ali tinha os primos, Zé Carlos e Tine, todos mais velhos, as primas, Lourdes, Miriam, Silmara, Marlene, Mirian e Angela. E meu Tio João. Foi com ele que descobri o “Futebol Compacto” da Tv Cultura de domingo à noite. Era o VT da rodada do Campeonato Carioca que passava pra gente às 20h do domingo.

Numa noitada daquelas, descobri um dos narradores que mais gosto, de nome José Cunha, um cara de voz rouca, cheio de onda, narrador carioquissimo que não gritava gol quando o sujeito estufava as redes; “Isso é televisão, o cara tá vendo que foi gol. Pra que vou dizer isso?” – Dizia. Foi com o Zé, não gritando gol, mas gritando “Roberrrrtôôôôôô”, que descobri que no Rio de Janeiro de 1977, havia um camisa 10 que dinamitava todas as defesas de lá e que o time que ele jogava, era um timaço.

BLACK RIO!

O Rio de Janeiro era um barato em 1977!

Nos subúrbios a black music fervia os bailes com Tim Maia, Cassiano, Carlos Dafé, com as equipes de baile e as orquestras como a Banda Black Rio. Uma lindeza! No maracá, o show ficava por conta do Vascão.

Um timaço que desde o começo, dava cara de ser um baita time, como conta Zé Mário, o volante, Gerente da meiuca daquele time:

– Desde as primeiras trocas, desde o principio de tudo, deu pra perceber que o time tinha potencial. Chegaram Geraldo e Orlando Lelé do América, Marco Antonio veio do Fluminense, Dirceu… O time foi tomando forma, com o Orlando Fantoni no comando.”


Na meiuca, além de Zé Mário, tinha Zanata e Fumanchu. O Ataque era avassalador; Ramon, Roberto Dinamite e Wilsinho Xodó da Vovó. Uma máquina que varreu com todo mundo em goleadas homéricas, como 6×0 no Bangu, 7×1 no Madureira, Passeio no Fluminense, Flamengo, Botafogo, em Geral toda. O Vasco venceu os dois turnos, para ser campeão do Cariocão.

Depois disso, o Vasco demorou a ser feliz. A chegada de uma nova geração, formaria um outro esquadrão, esse, eu vi jogar muito, mas muito.

Mas essa história fica pra outra hora.

Por hora, vamos cantar de coração; O Vascão 77 foi um puta dum timão!