por Zé Roberto Padilha

A última seleção a unir nosso país, não como uma “corrente pra frente, outra nos pulsos de quem pensava diferente”, mas com a cumplicidade de uma enorme paixão pelo futebol, foi a de 1982.
A maioria dos convocados jogava no Brasil. Esbarravam com a gente nos shoppings e toda a pré temporada era realizada em uma estância mineral, ou em Caxambu ou em Águas de Lindoia.
Junior, Leandro e Zico levavam uma nação para dentro da televisão. Sócrates, outra. Eder e Luizinho representavam os mineiros, Falcão, os gaúchos e Serginho, Oscar e Waldir Perez, os paulistas.
O país parava literalmente para vê-los jogar. Por aqui, telões eram instalados nos clubes e, depois das partidas, assumia o Grupo Nova Era. E a festa comia até altas horas.
Hoje, a torcida do Real Madrid não torce por Vinicius Jr., Endrick, Rodrygo. Como a do Barcelona, do Raphinha, vibram com a seleção espanhola.
E quando nosso ataque entra em campo, não há uma só bandeira do Santos para saudar o Neymar. E a do Fluminense também não é desfraldada porque André está jogando na Inglaterra. E Nino nem sei mais aonde.
Se tem solução? Depois do Wesley, convoquem Marlon Freitas e Gregore. Por absoluto mérito. Já tem o Gerson, mais à frente. E tragam o centroavante do Corinthians. Por que não se tantos Jesus foram tentados?
Tenho certeza que na próxima partida das Eliminatórias, se não vibrar por inteiro o corpo de uma nação, pelo menos teremos, nas ruas, telões e arquibancadas, a sua alma de volta.
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