por Paulo-Roberto Andel
Quando comecei a acompanhar futebol, sabia que Marinho Peres era o cara. Um becão, como se dizia antigamente, e que nós, garotos dos anos 1970, procurávamos para reforçar nossos times de botão. Quando se falava em seu nome, a reação dos mais velhos se resumia numa palavra: respeito.
Meu pai dizia que jogava muito. Cheguei a vê-lo no Rio, atuando pelo America. Depois, pesquisando nas revistas Placar, me dei conta de sua carreira gigantesca: Portuguesa de Desportos, Santos de Pelé, Barcelona de Cruyff, Internacional de Falcão, Palmeiras. Verifiquem as escalações de época destas equipes e confirmem os timaços nos quais Marinho Peres foi titular absoluto, com talento, elegância e força.
Era o zagueiro central da Seleção Brasileira de 1974, cuja campanha opaca (sob ambiente tumultuado) não é capaz de esconder quantos craques ali atuaram. Ele mesmo fez uma grande dupla com Luis Pereira. Para a surpresa do treinador Zagallo, ambos haviam jogado juntos no começo de carreira, pelo São Bento de Sorocaba. Tempos em que dezenas de equipes fabricavam grandes craques a granel para o nosso futebol.
Curioso também o motivo que fez Marinho Peres deixar o poderoso Barcelona. Nada teve a ver com a qualidade de seu futebol, nem as atuações. É que para continuar na Espanha, Marinho precisaria servir ao exército espanhol – que não reconhecia seu certificado militar brasileiro – e parar sua carreira por um ano e meio, algo inviável. Então pegou as malas e regressou para o Brasil. Melhor para o Inter, que teve nele um zagueiraço ao lado de Elias Figueroa, considerado um dos maiores ídolos da história colorada. Juntos, conquistaram o Brasileirão de 1976.
Ficou pouco tempo no America, mas suficiente para pensarmos que o gigante rubro contava com jogadores desse quilate nos anos 1970 e 1980, brigando por títulos e atazanando a vida dos grandes coirmãos – Flamengo e Fluminense eram vítimas preferenciais do saudoso Mecão.
O sorocabano Mário Peres Ulibarri nasceu e morreu em Sorocaba, respectivamente em 19 de março de 1947 e 18 de setembro de 2023, aos 76 anos de idade. Foi um dos grandes zagueiros do futebol brasileiro, de estilo clássico. Encerrada a carreira de jogador, foi treinador com prestígio em Portugal, também campeão pelo Botafogo.
Boa reportagem e quem não viu esse tremendo jogador
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